← Projeto LIMIAR

Fadiga cognitiva e ganho acumulado em sessões prolongadas de estudo:
modelagem matemática e determinação experimental do limiar de interrupção

Carlos Raymond

31ª Feira de Ciências do Colégio Militar de Curitiba · agosto de 2026
Documento técnico completo, escrito para quem nunca viu o projeto.

Resumo. Este trabalho investiga quando parar de estudar. Adaptando o Teorema do Valor Marginal — formulado por Charnov em 1976 para descrever quanto tempo um animal deve permanecer forrageando numa mancha de alimento — mede-se o rendimento de sessões de estudo e determina-se o instante em que continuar deixa de compensar. Nove sessões experimentais foram conduzidas com dois participantes. O rendimento instantâneo ajusta-se a r(t)=c+b\,e^{-kt}, cuja integração fornece S(t)=c\,t+\frac{b}{k}(1-e^{-kt}). O achado central contraria a premissa clássica: o ganho acumulado não satura — o termo linear responde por 74% a 100% do total em sete ajustes independentes. A recuperação após pausas de cinco minutos mostrou-se incompleta, entre 0,69 e 0,74. Obtém-se uma solução fechada para o limiar em termos da função W de Lambert, e estima-se o limiar entre 21 e 36 minutos para pausas curtas.

1. O problema

Todo estudante conhece a experiência de continuar estudando muito depois de o estudo ter parado de render. Sabe-se que existe um ponto além do qual insistir custa mais do que produz, mas esse ponto é tratado por intuição, por regras de bolso ou por métodos populares sem validação — o Pomodoro, com seus vinte e cinco minutos, é o exemplo mais difundido.

A pergunta deste trabalho é se esse ponto pode ser medido e calculado em vez de estimado. Formalmente: existe um instante ótimo de interrupção, e ele é determinável a partir de dados de desempenho coletados durante a própria sessão?

2. A inspiração: o Teorema do Valor Marginal

Em 1976, o ecólogo Eric Charnov publicou a solução de um problema aparentemente distante. Um animal forrageia numa mancha de alimento — um arbusto com frutos, um tronco com insetos. Conforme come, a mancha empobrece e cada minuto adicional rende menos. Em algum momento compensa abandoná-la e viajar até outra mancha, mas a viagem custa tempo em que nada se colhe.

Charnov demonstrou que o forrageador que maximiza o ganho de longo prazo deve abandonar a mancha quando a taxa instantânea de ganho iguala a taxa média do ambiente. O resultado ficou conhecido como Teorema do Valor Marginal e é um dos pilares da ecologia comportamental.

A transposição. A analogia com o estudo é estrutural, não literária. A sessão de estudo é a mancha; o rendimento que decai é o empobrecimento; a pausa é o tempo de viagem. Se as três correspondências valem, o teorema fornece a regra de parada.

2.1 O que se maximiza

Definem-se três grandezas, todas funções do tempo t em minutos desde o início do bloco de estudo:

r(t) \quad\text{rendimento instantâneo} \qquad S(t)=\int_0^t r(u)\,du \quad\text{ganho acumulado} \qquad R(t)=\frac{S(t)}{t+x} \quad\text{taxa média global}

onde x é a duração da pausa planejada. Apenas a terceira admite máximo interior: S apenas cresce, e maximizá-la mandaria nunca parar; r apenas decai, e maximizá-la mandaria parar no primeiro minuto. É R que produz um limiar.

Há uma justificativa mais forte para R ser o objetivo correto, que dispensa a analogia com forrageamento. Dispondo de um tempo total T repartido em N ciclos de (t+x), o aprendizado total é N\,S(t). Como N=T/(t+x):

N\,S(t)=\frac{T}{t+x}\,S(t)=T\cdot R(t)

Maximizar o aprendizado de uma noite de duração fixa é idêntico a maximizar R. A pausa entra no denominador porque é tempo pago sem colheita.

3. O instrumento

Nenhum modelo de quando parar vale sem dados de como o desempenho evolui. Construiu-se para isso um instrumento de coleta em navegador, disponível publicamente, que apresenta itens de estudo um a um e registra o instante de cada evento com precisão de milissegundos.

O protocolo final funciona assim. Um texto curto e autocontido aparece sozinho; ao terminar de ler, o participante pressiona a barra de espaço e o texto desaparece, substituído por uma pergunta cuja resposta tem de uma a três palavras. A resposta é escrita à mão em caderno numerado, e nova pressão da barra avança. Nada de gabarito, contagem, relógio ou sinal de desempenho aparece durante a sessão. A correção acontece integralmente no fim, cartão por cartão, contra o caderno.

Essa arquitetura resolve três problemas de medição. O texto sumir antes da pergunta garante que se mede recuperação da memória, e não leitura da resposta. A separação entre o tempo de leitura e o tempo de resposta permite localizar em qual canal a fadiga age. E adiar toda a correção impede que saber o próprio desempenho altere o desempenho medido.

4. Primeira fase: um fracasso produtivo

As quatro primeiras sessões usaram um banco de 1.004 exercícios de derivadas, gerados programaticamente a partir de listas de cálculo da Universidade de Brasília, com itens isomórficos dentro de cada rótulo — mesma estrutura, coeficientes diferentes.

Nenhuma delas mostrou fadiga. Nos três blocos de 35 minutos, o modelo constante venceu na comparação por AICc, e a taxa de acerto subiu de bloco para bloco: 2,00, depois 2,34, depois 2,78 acertos por minuto. Na sessão contínua de 115 minutos, a acurácia atingiu 99,3%, saturando o teto e deixando de medir qualquer coisa.

O diagnóstico. Executar um procedimento já dominado é processamento automático, justamente o canal que a fadiga não atinge. A ausência de sinal não foi falha de medição: foi o resultado que revelou que a tarefa estava errada. O que a fadiga degrada é a codificação de conteúdo novo.

A consequência foi trocar integralmente a tarefa. Construiu-se um banco de 355 cartões de leitura de História, cada um com um texto autocontido de quatro a cinco frases seguido de uma pergunta de resposta curta, cobrindo colonização da América do Norte, revoluções inglesas, Iluminismo e Revolução Industrial. O conteúdo foi extraído de material didático do participante — capítulos de História Geral e do Brasil, de Freitas Neto e Tasinafo, e apresentações de aula.

5. O modelo de fadiga

Os dados de flashcards mostram rendimento que cai no início e depois estabiliza num patamar. Três caminhos independentes conduzem à mesma forma funcional.

5.1 A rota mecânica

Parte-se de uma hipótese sobre o mecanismo, não sobre o formato: o rendimento cai proporcionalmente ao quanto ainda está acima do piso sustentável.

equação diferencial
\frac{dr}{dt} = -k\left(r - c\right)

Trata-se da mesma equação da lei de resfriamento de Newton. Separando variáveis e integrando com r(0)=r_0:

\int\frac{dr}{r-c}=-k\!\int dt \;\Longrightarrow\; \ln|r-c| = -kt + C \;\Longrightarrow\; r(t) = c + (r_0-c)\,e^{-kt}

Definindo b=r_0-c:

\boxed{\;r(t) = c + b\,e^{-kt}\;}

5.2 A rota via literatura de fadiga industrial

Jaber, Givi e Neumann propuseram em 2013 um modelo que incorpora fadiga e recuperação ao processo de aprendizado e esquecimento em trabalho repetitivo. Nele, a fadiga acumulada é saturante:

F(t) = 1 - e^{-\lambda t}, \qquad F(0)=0,\;\; F(\infty)=1

Se o desempenho decai proporcionalmente à fadiga acumulada, com \alpha sendo a fração que ela consegue derrubar:

r(t) = r_{\max}\left(1-\alpha F(t)\right) = \underbrace{r_{\max}(1-\alpha)}_{c} + \underbrace{r_{\max}\alpha}_{b}\,e^{-\lambda t}

É a mesma expressão. Os parâmetros ganham leitura física: c é o que sobra quando a fadiga satura por completo, b é quanto ela chega a tirar, k=\lambda é a taxa com que se instala, e \alpha = b/(b+c) é a fração derrubável do desempenho.

5.3 A rota empírica

Quatro famílias foram ajustadas e comparadas por AICc: constante, linear, exponencial composta r_0e^{-\lambda t} e a saturante com assíntota. A constante venceu nos blocos de derivadas, revelando b\approx 0. A composta foi rejeitada porque decai a zero, incompatível com o patamar observado. A linear cruzaria o zero. Restou a saturante.

5.4 Os parâmetros e suas unidades

parâmetrounidadepapel no gráfico
cacertos/mino piso onde a curva pousa; sobe ou desce a curva inteira
bacertos/mina altura da queda; parte-se de c+b
kmin−1a pressa da queda; não muda início nem fim
t_{1/2}=\ln 2/kmintempo para percorrer metade da queda

6. O ganho acumulado

Integrando o rendimento termo a termo:

dedução completa
S(t)=\int_0^t\!\left(c+b\,e^{-ku}\right)du = \Big[c\,u\Big]_0^t + b\left[-\tfrac{1}{k}e^{-ku}\right]_0^t = c\,t + \frac{b}{k}\left(1-e^{-kt}\right)

O fator 1/k surge porque a primitiva de e^{-ku} é -\tfrac{1}{k}e^{-ku}.

6.1 O significado de b/k

Compare-se com um estudante hipotético que rendesse o piso desde o minuto zero, acumulando c\,t. A diferença é:

S(t)-c\,t = \frac{b}{k}\left(1-e^{-kt}\right) \quad\longrightarrow\quad \frac{b}{k} \;\;\text{quando}\;\; t\to\infty

A análise dimensional confirma a leitura: b/k tem unidade de (\text{acertos}/\text{min})\div(1/\text{min}), ou seja, acertos — uma contagem pura. É o bônus que o frescor inicial concede.

O custo da fadiga é outra conta, medida contra quem nunca cansasse:

\text{Custo}(t) = (c+b)\,t - S(t) = b\,t - \frac{b}{k}\left(1-e^{-kt}\right)
A assimetria fundamental. O bônus é limitado — trava em b/k. O custo é ilimitado — cresce como b\,t. É essa assimetria, e não a saturação do ganho, que faz existir um momento ótimo de parar.

7. O achado central: o ganho não satura

O modelo de Charnov pressupõe ganho saturante — uma curva que dobra até um teto, porque a mancha se esgota. Isso equivale a c=0.

Sete ajustes independentes rejeitam essa premissa. Comparando por AICc três modelos — linear puro, exponencial saturante pura S_{\max}(1-e^{-kt}), e a combinação linear mais saturante — a combinação vence, e a decomposição mostra o termo linear carregando de 74% a 100% do acumulado.

sessãotarefamodelo vencedorpeso do termo linear
02/08, blocos 1–3derivadaslinear puro100%
04/08, contínuaderivadaslinear + saturante99%
10/08, contínuaflashcardslinear + saturante86%
11/08, contínuaflashcardslinear + saturante74%
12/08, cicladaflashcardslinear + saturante91%

A saturante pura só consegue ajustar projetando tetos absurdos: 65 acertos alcançados apenas aos 755 minutos numa sessão de 116; 4.987 acertos aos 9.059 minutos noutra de 115. Um patamar situado de oito a oitenta vezes além do horizonte medido não é um patamar — é uma reta disfarçada.

Isso não invalida o teorema; muda a razão de o limiar existir. Não é a mancha que se esgota — é o bônus do frescor que satura enquanto o relógio continua correndo.

8. A regra de parada

Derivando R(t)=S(t)/(t+x) pela regra do quociente, lembrando que S'(t)=r(t):

R'(t) = \frac{r(t)\,(t+x) - S(t)}{(t+x)^2}

O denominador é sempre positivo, de modo que o sinal de R' é o sinal do numerador. Anulando:

r(t^*)\,(t^*+x) = S(t^*) \qquad\Longleftrightarrow\qquad \boxed{\;r(t^*) = R(t^*)\;}

Pare quando o rendimento do momento igualar a média já descontada a pausa. Acima dela, continuar puxa a média para cima; abaixo, puxa para baixo.

Geometricamente, R(t) é a inclinação da reta que liga o ponto (-x,\,0) ao ponto (t,\,S(t)). Maximizá-la é traçar dessa origem a reta tangente a S — que é exatamente o diagrama de Charnov, com a pausa x no lugar do tempo de viagem.

9. A condição de existência

Defina-se g(t)=r(t)(t+x)-S(t), cujo zero é o limiar. Derivando, os termos em r(t) se cancelam:

g'(t) = r'(t)(t+x) + r(t) - r(t) = -\,b\,k\,e^{-kt}(t+x) \;<\; 0

Logo g é estritamente decrescente. Basta examinar os extremos:

g(0) = (c+b)\,x \;>\; 0 \qquad\qquad \lim_{t\to\infty} g(t) = c\,x - \frac{b}{k}

Uma função decrescente que começa positiva cruza o zero se e somente se termina negativa:

c\,x - \frac{b}{k} < 0 \qquad\Longleftrightarrow\qquad \boxed{\;x \;<\; \frac{b}{k\,c}\;}

A análise dimensional valida a expressão: b/(kc) resulta em minutos, o que torna legítima a comparação com a pausa x. Se pausas excedem essa razão, não existe limiar — o modelo passa a dizer que nunca compensa parar.

10. Solução fechada

No caso clássico com c=0, isolar t em r(t)=R é direto e fornece t^*=\frac{1}{k}\ln\!\left(r_0/R\right). Com c>0 a equação deixa de ser elementar.

Substituindo U=e^{-kt} e portanto t=-\ln U/k na condição de parada, e reorganizando, obtém-se:

U\left(1 + kx - \ln U\right) = A, \qquad A = 1 - \frac{k\,c\,x}{b}

Com a substituição w = 1+kx-\ln U, a equação assume a forma canônica w\,e^{-w} = A\,e^{-(1+kx)}, cuja inversa é a função W de Lambert:

solução fechada do limiar
t^* = \frac{1}{k}\left[-\,W_{-1}\!\left(-A\,e^{-(1+kx)}\right) - 1 - kx\right]

A expressão passa nas duas verificações obrigatórias: recai em \frac{1}{k}\ln(r_0/R) quando c\to 0, e deixa de ter solução real quando x \ge b/(kc). Confrontada com a solução numérica, concorda com erro da ordem de 10−14 minutos.

11. A recuperação

Escrever R(t)=S(t)/(t+x) como taxa de longo prazo supõe que cada ciclo reproduza a mesma curva — ou seja, que a pausa devolva o estudante ao estado inicial. Essa suposição precisava ser medida.

11.1 O erro do método das bordas

A primeira tentativa comparou a média dos três cartões anteriores à pausa com a dos três posteriores. Os cinco resultados foram −2%, +47%, +7%, +8% e −17%, aparentemente contraditórios, e a conclusão precipitada foi de que a recuperação exponencial não descrevia os dados.

A conclusão estava errada. Com variabilidade entre cartões de CV=38\%, o erro-padrão da diferença entre médias de n cartões é:

EP_{\text{dif}} = CV\sqrt{\tfrac{2}{n}} \qquad\Longrightarrow\qquad EP = 0{,}38\sqrt{\tfrac{2}{3}} = 31\%

Todas as cinco medidas cabem nessa barra. Testando a média contra zero: t=0{,}81, p=0{,}463. Não havia contradição — havia ruído, e leu-se padrão onde não existia.

11.2 O estimador por interceptos

Em vez de comparar bordas, ajusta-se uma reta à duração por cartão dentro de cada bloco e compara-se o intercepto, que estima a duração inicial. Isso emprega todos os cartões do bloco em vez de seis:

d_j(t) = \alpha_j + \beta_j t \qquad\Longrightarrow\qquad \rho_j = \frac{\alpha_1}{\alpha_j}
sessãobloconinterceptodéficit\rho
25·5 × 4111117,2 s1,000
211170,8 s+45,7%0,686
312144,0 s+22,8%0,814
413125,6 s+7,2%0,933
40·5 × 3112176,2 s1,000
210237,7 s+34,9%0,741
310226,2 s+28,4%0,779

Em dois participantes e dois protocolos, o bloco 2 arranca substancialmente pior que o bloco 1, e os seguintes recuperam progressivamente. Uma pausa de cinco minutos devolve entre 69% e 74% do estado inicial. Adotando a forma de Jaber:

\rho(x)=1-e^{-\mu x} \;\Longrightarrow\; \mu = -\frac{\ln(1-\rho)}{x} = -\frac{\ln(0{,}30)}{5} \approx 0{,}24\ \text{min}^{-1}

Recuperação cerca de dez vezes mais rápida que a instalação da fadiga, o que é compatível com a literatura de trabalho-descanso.

11.3 O limite de detecção

n = 2\left(\frac{(z_{\alpha/2}+z_\beta)\,CV}{\delta}\right)^2

Com 11 cartões por bloco, apenas déficits acima de 30% são detectáveis. Os observados, de 35% e 46%, situam-se exatamente acima desse limite. A existência de recuperação incompleta é sustentável; um valor preciso de \mu, ainda não.

12. O regime permanente

Com \rho<1, cada bloco começa com um resíduo \tau_n de fadiga não removida, que evolui como \tau_{n+1}=(\tau_n+T)(1-\rho). Ao longo de muitos ciclos essa recorrência converge. No ponto fixo:

\tau^*=(\tau^*+T)(1-\rho) \;\Longrightarrow\; \tau^*\rho = T(1-\rho) \;\Longrightarrow\; \boxed{\;\tau^*=\frac{T(1-\rho)}{\rho}\;}

Em regime, todo ciclo é idêntico e o rendimento inicial de cada bloco deixa de ser algo a medir: passa a ser deduzido.

R(T)=\frac{c\,T+\frac{b}{k}\,e^{-k\tau^*}\left(1-e^{-kT}\right)}{T+x}

13. Resultados

sessãoprotocoloncb/kkb/(kc)Δ leitura
11/08 · Acontínua 115320,2232,970,07613,3 min−15%
11/08 · Bcontínua 115350,2129,470,02344,7 min−35%**
12/08 · A25·5 × 4470,3700,00+57%
12/08 · B40·5 × 3320,2312,730,03511,8 min−30%*

Δ leitura é a variação percentual da velocidade de leitura, em palavras por segundo, ao longo da sessão. Significância: ** p<0{,}01, * p<0{,}05.

13.1 A estimativa do limiar

sessão\rho=1{,}00\rho=0{,}70
11/08 · B32 min23 min
12/08 · B45 min35 min
Limiar estimado entre 21 e 36 minutos, mediana de 29, para pausas de cinco minutos. A recuperação incompleta desloca o ótimo para antes: como parte da fadiga sobrevive à pausa, compensa interromper mais cedo do que o modelo com recuperação total indicaria.

14. Controles e critérios

14.1 Exclusões, fixadas antes de examinar os resultados

  1. Velocidade de leitura acima de 5 palavras por segundo — impossibilidade física de ter lido o texto. Capturou um cartão a 6,77 pal/s, contra máxima legítima observada de 1,65 em 180 cartões. Nenhum falso positivo.
  2. Resposta ausente do texto — defeito de construção, verificável por varredura automática do banco. Capturou um cartão; a varredura completa encontrou quatro defeitos, todos corrigidos.

14.2 Normalização pelo tamanho do texto

Testada empiricamente sobre 180 cartões: o número de palavras explica apenas R^2=0{,}052 do tempo de leitura, e a normalização reduz a variabilidade em 5%. A dispersão provém do conteúdo — densidade conceitual, familiaridade prévia — e não do volume de texto. Mantida por rigor, com efeito declaradamente pequeno.

14.3 Janelas temporais

Com cerca de 32 cartões por sessão, janelas de 5 ou 10 minutos contêm 2 a 3 cartões e o rendimento assume apenas valores discretos. Nessa resolução o modelo constante vence por AICc mesmo quando a desaceleração cartão a cartão é significativa. A evidência primária é, portanto, cartão a cartão e o ajuste de S(t).

15. Limitações

16. Fontes e inspirações

CHARNOV, E. L. Optimal foraging, the marginal value theorem. Theoretical Population Biology, v. 9, n. 2, p. 129–136, 1976. — origem do teorema, da regra r(t^*)=R(t^*) e da construção geométrica da tangente a partir de (-x,0).

JABER, M. Y.; GIVI, Z. S.; NEUMANN, W. P. Incorporating human fatigue and recovery into the learning–forgetting process. Applied Mathematical Modelling, v. 37, 2013. — origem da forma saturante da fadiga acumulada e da recuperação exponencial \rho(x)=1-e^{-\mu x}.

FREITAS NETO, J. A.; TASINAFO, C. R. História Geral e do Brasil. — fonte do conteúdo dos cartões de leitura, junto de material de aula do participante.

Listas de Cálculo da Universidade de Brasília — base dos bancos de exercícios de derivadas da primeira fase.

Lei de resfriamento de Newton — a equação diferencial dr/dt=-k(r-c) é formalmente idêntica, e a analogia do café esfriando foi usada para dar leitura física aos parâmetros.

Função W de Lambert — inversa de w\,e^{w}, empregada na solução fechada do limiar.

Projeto LIMIAR · Carlos Raymond · carlosraymond.com/limiar
Nove sessões experimentais entre 1 e 12 de agosto de 2026 · documento de 13/08/2026