De onde vêm os parâmetros, todas as leis de formação em forma algébrica e com os
valores medidos substituídos, e o que o modelo ainda não sabe.
Estado em 11 de agosto de 2026, após seis sessões.
Eles não estavam na teoria: são o nome que se dá aos três graus de liberdade de uma escolha de modelo. Medimos uma coisa só — quantos acertos por minuto você produz em cada instante da sessão, que chamamos de r(t). Os dados mostram que essa grandeza cai no começo e depois para de cair, estabilizando num patamar. A família de funções mais simples com esse comportamento é a exponencial decrescente com assíntota, e ela tem exatamente três números livres:
Ajustar o modelo é procurar os três valores que fazem a curva passar mais perto dos pontos medidos. Antes do ajuste eles não significam nada; depois, cada um ganha leitura física.
Metade de toda a sua fadeira se instala nos primeiros 30 minutos de sessão.
Leitura direta: você começa em r(0)=0{,}430 acertos por minuto e termina estabilizado em 0{,}212 — ou seja, o rendimento final é menos da metade do inicial. A inclinação da curva é
Sempre negativa e máxima em módulo em t = 0. A queda é mais forte no início e vai suavizando — por isso começar cansado enfraquece o sinal, já que se entra direto na parte achatada da curva.
O total de acertos até o instante t é a integral do rendimento. Integrando termo a termo:
Esta é a fórmula central do projeto, e ela tem duas partes de natureza oposta:
| parte | forma | comportamento | em t = 116 min | peso |
|---|---|---|---|---|
| linear | c\,t | cresce para sempre | 24,6 acertos | 74% |
| saturante | \frac{b}{k}\!\left(1-e^{-kt}\right) | trava no teto b/k | 8,8 acertos | 26% |
| total | S(t) | — | 33,5 (medido: 34) | 100% |
Repare em quem é o teto da parte saturante. Quando t\to\infty, o termo e^{-kt}\to 0 e sobra
Para entender o que esse número mede, compare-se com um estudante fantasma que tivesse trabalhado no piso desde o primeiro minuto — ou seja, que já chegasse cansado e rendesse c o tempo inteiro. Ele acumularia
A diferença entre você e esse fantasma é exatamente a parte saturante:
Chegou a 8,8 dos 9,47 possíveis: em 116 minutos você já consumiu 93% do bônus que o frescor tinha para oferecer.
O custo se mede contra outro fantasma: um que nunca cansasse e mantivesse r(0)=c+b para sempre.
Note a assimetria: o bônus é limitado (trava em b/k) e o custo é ilimitado (cresce como bt). Quanto mais longa a sessão, pior a troca — e é precisamente essa assimetria que faz existir um momento ótimo de parar.
A pausa x entra no denominador porque é tempo que se paga sem colher nada. É isso que torna R a única das três grandezas com máximo interior: S só cresce (mandaria nunca parar) e r só cai (mandaria parar no primeiro minuto).
Com um tempo total fixo T repartido em N ciclos de (t+x), maximizar o aprendizado da noite inteira é idêntico a maximizar R(t). Não é analogia com forrageio: é a formulação do problema de quem tem a noite contada.
Pare quando o rendimento do momento igualar a sua média já descontada a pausa. Acima da média, continuar puxa a média para cima; abaixo dela, continuar puxa para baixo.
Definindo g(t)=r(t)(t+x)-S(t), o Limiar é a raiz de g. Derivando, os termos em r(t) se cancelam:
Logo g é estritamente decrescente. Basta então olhar os extremos:
Uma função decrescente que começa positiva cruza o zero se e somente se termina negativa:
A composta preveria tempo por item disparando sem limite; a saturante prevê patamar. Os dados apoiam a saturante, o que confirma qualitativamente Jaber, Givi e Neumann.
Queda de 35% em 116 minutos, com o tamanho dos textos comprovadamente constante ao longo da sessão (p = 0,56). Dividir pelo tamanho do texto é o que impede que variação de material seja confundida com fadiga.
| sessão | tarefa | c | b | b/k | k | t½ | b/(kc) |
|---|---|---|---|---|---|---|---|
| 02/08 blocos 1–3 | derivadas | 2,0–2,8 | ≈0 | 0,00 | ≈0 | — | — |
| 04/08 contínua | derivadas | 2,438 | 0,953 | 3,30 | 0,289 | 2,4 min | 1,4 min |
| 10/08 contínua | flashcards | 0,470 | 0,273 | 9,12 | 0,030 | 23 min | 29 min |
| 11/08 contínua | flashcards | 0,212 | 0,218 | 9,47 | 0,023 | 30 min | 44,7 min |
| 11/08 (pai) | flashcards | 0,223 | 0,226 | 2,97 | 0,076 | 9,1 min | 13,3 min |
Duas leituras que os números sustentam. Nos blocos de derivadas b\approx 0: não havia fadiga a modelar, porque executar procedimento dominado é processamento automático. E entre as duas sessões de flashcards do mesmo sujeito, b/k deu 9,12 e 9,47 — diferença de 4% — enquanto c caiu pela metade, sugerindo que b e k pertencem ao par sujeito-tarefa e c depende do material estudado.
Ressalva metodológica: os parâmetros acima vêm do ajuste de S(t) sobre todos os cartões (35 pontos em 11/08). O ajuste feito sobre janelas de 10 minutos, com apenas 12 pontos e forte quantização, dá valores diferentes (c = 0,255; b = 0,168; k = 0,036) e é considerado secundário.
Tudo acima descreve o que acontece dentro de um bloco. Escrever R(t)=S(t)/(t+x) como taxa de longo prazo supõe, sem ter medido, que a pausa devolve o estudante ao ponto de partida — só assim cada ciclo repete S(t). Falta a função de recuperação:
Se ρ(x) < 1, os ciclos não são idênticos, o resíduo de fadiga acumula e o problema deixa o Charnov clássico e entra em controle ótimo — blocos que encurtam ao longo da sessão. Medir μ exige sessões com pausas de durações diferentes, comparando onde o bloco seguinte arranca em relação ao anterior. Até lá, qualquer t* calculado é condicional.